Em uma cidade marcada pela forte tradição religiosa, milhares de fiéis voltaram a se reunir para celebrar mais um de seus padroeiros. O Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos recebeu paroquianos, peregrinos e romeiros para as celebrações do Jubileu 2026, uma das manifestações de fé mais tradicionais de São João del-Rei. Ao longo dos dias de festa, o santuário se tornou ponto de encontro para aqueles que chegaram movidos por diferentes motivos: agradecer por uma graça alcançada, fazer pedidos, cumprir promessas ou simplesmente renovar a fé diante da imagem do Bom Jesus.
Realizado desde 1774, o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos atravessou gerações e se consolidou como um importante momento de espiritualidade e devoção. A celebração, que durante muitos anos ocorreu simultaneamente ao Jubileu do Divino Espírito Santo, passou a ter dedicação exclusiva após a criação da Paróquia do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em 1960.
Durante o Jubileu, a imagem deixa o espaço do santuário e percorre as ruas do bairro em procissão, acompanhada por uma multidão de devotos. O momento reúne orações, cânticos e manifestações públicas de fé, mantendo viva uma tradição que há séculos faz parte da identidade religiosa da comunidade. Esculpida em cedro no século XVIII, em Portugal, na cidade de Matosinhos, a imagem do Senhor Bom Jesus possui cerca de dois metros de altura e representa Cristo Vivo. Os detalhes do corpo, com marcas, filetes e coágulos de sangue, evidenciam o realismo característico da arte barroca e ajudam a explicar a forte identificação dos fiéis com a representação da Paixão de Cristo.
Para o bispo diocesano, Dom José Eudes Campos do Nascimento, a celebração é também um convite para que os fiéis tenham Cristo como referência para a vida. Segundo o bispo, voltar o olhar para o Bom Jesus significa também assumir seus ensinamentos e buscar colocá-los em prática no cotidiano.
“Mais uma vez estamos celebrando o Senhor Bom Jesus de Matosinhos e percebendo essa bela devoção do povo, com gestos de carinho. Somos convidados a seguir os passos de Cristo. Ele está sempre de braços abertos para acolher nós, seus filhos e filhas, que sempre o procuram em momentos de aflição”, destaca.
Já o pároco e reitor do Santuário, Padre Vinícius Idefonso Campos, ressalta que o Jubileu representa uma oportunidade de experimentar a misericórdia de Deus e renovar o compromisso cristão. Neste ano, a celebração convida os participantes a refletirem sobre a imagem das “pedras vivas” que formam o edifício espiritual. Para o sacerdote, aproximar-se de Cristo, a “pedra viva” escolhida por Deus, significa superar o individualismo e reconhecer que cada pessoa possui um papel na construção do Reino de Deus.
“Celebramos o Jubileu assumindo o compromisso de ser pedras vivas moldadas pelo Espírito, ocupando o lugar que Deus nos designou na construção do seu Reino e confiando que, sobre a Rocha que é Cristo, jamais seremos confundidos”, afirma.
Assim, entre procissões, orações e gestos de devoção, o Jubileu 2026 reafirma uma tradição iniciada há mais de 250 anos. Mais do que uma festa religiosa, a celebração se apresenta como um tempo de encontro, memória e renovação da fé, reunindo diferentes gerações diante daquele que, para milhares de devotos, permanece de braços abertos para acolher, fortalecer e conduzir.
Lucas Silveira/Diocese
Foto: Fabíola Ribeiro




















