Uma denúncia feita por uma recuperanda do regime aberto da APAC Feminina de São João del-Rei levanta questionamentos sobre as condições enfrentadas por mulheres atendidas pela unidade. O relato, encaminhado à reportagem, aponta problemas estruturais, falta de alimentação adequada, supostas negligências médicas e situações de constrangimento dentro da instituição.
Segundo a assistida, que afirma permanecer na unidade apenas no período noturno por estar no regime aberto — conhecido popularmente como “albergado” — os problemas já acontecem há algum tempo. Entre as reclamações estão vasos sanitários vazando, escassez de alimentos e episódios em que recuperandas teriam dormido sem jantar.
“Já teve noite de recuperandas dormirem sem alimentação”, afirmou a denunciante.
A mulher também relata que existe medo entre as internas em expor opiniões e críticas sobre a situação enfrentada no local. De acordo com ela, algumas recuperandas sofreriam ameaças ou represálias ao manifestarem insatisfação.
Outro ponto considerado grave pela denunciante envolve supostos casos de negligência relacionados à saúde.
Conforme o relato, duas mulheres teriam precisado de atendimento recentemente: uma devido a uma forte dor de dente e outra acompanhando um bebê de apenas cinco meses com febre alta. Ainda segundo a recuperanda, os medicamentos necessários não teriam chegado a tempo.
A denúncia também questiona a segurança das internas durante a noite. Conforme informado, as recuperandas permanecem trancadas das 18h às 6h e dependem de um rádio comunicador para solicitar ajuda em emergências. No entanto, segundo ela, o equipamento apresentaria falhas constantes.
“Se tiver alguém passando muito mal e o rádio não funcionar, o que acontece?”, questionou a denunciante.
Além das reclamações sobre estrutura e atendimento, a recuperanda também denunciou supostos episódios de humilhação praticados por funcionários da unidade.
Um dos casos teria ocorrido durante uma jornada promovida recentemente na APAC, quando, segundo ela, uma recuperanda teria sido constrangida durante o jantar por causa de alimentos e frutas.
Diante da situação, a denunciante pede que órgãos responsáveis acompanhem mais de perto a realidade da unidade feminina de São João del-Rei. Entre os órgãos citados estão a FBAC (Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados), Ministério Público, Poder Judiciário, OAB, Vigilância Sanitária e entidades de direitos humanos.
Procurada pela reportagem, Adriana Leitão, presidente da APAC Feminina, informou ao Jornal do Povão que tomou conhecimento das reclamações apresentadas pelas recuperandas do regime aberto e afirmou que uma reunião será realizada nesta quinta-feira (02/07) para apuração das denúncias.
Segundo Adriana, após o encontro será elaborado um posicionamento oficial sobre as medidas e encaminhamentos definidos. “Na sexta-feira repassaremos para vocês o que ficará acordado nessa reunião”, informou a presidente da instituição.

























